domingo, 1 de junho de 2014

CIRCUITO DAS PRAIAS 2014 - ETAPA MONGAGUÁ 10 KM


 
No dia 13 de Abril de 2014, fui convidado pela equipe Arena projetos para correr a Corrida Circuito das Praias em Mongaguá - 10km.
Como não estou acostumado com este tipo de prova (rápida), não esperava muita coisa, mas ao mesmo temo sabia que tinha que me esforçar para ao menos não decepcionar a equipe que me convidou.
Mais uma vez tive o prazer de correr ao lado do meu camarada Edmilson de Itanhaém, e sabia que somente o fato de conseguir acompanha-lo já seria muito bom.
Dada a largada, saí forte junto com o Edmilson, e não tive outra escolha, senão forçar o máximo que pudesse o tempo todo e deixar para "quebrar" o mais próximo do final possível.
Imprimimos um ritmo bacana, sempre perto dos 00:03:45 por km, e fechamos os 5 primeiros km em 00:17:20. Já nos 5 km finais, ainda consegui forçar um pouquinho e manter um pace parecido com os anteriores, enquanto que no km 7 e 8, já consegui ultrapassar alguns atletas, que começavam á diminuir o ritmo em virtude do cansaço.
No último km, estava literalmente acabado, pode até parecer estranho, para quem está acostumado a correr em trilhas uma média de 30km quase todos os domingos, mas a realidade era realmente esta, mas tinha em mente que teria que continuar forçando afinal, ao olhar para atras, era possível ver uns 6 atletas sedentos pela minha posição.
No final, fechei os 10 km em 00:35:56, mas vale deixar claro que o percurso tinha menos do que 10 km, ou seja, meu tempo corrigido seria entre 36 e 37 minutos.
De qualquer forma, fiquei bastante satisfeito com o resultado, pois terminei a prova em 4. colocado na minha categoria, dentre 21 atletas.
Agradeço a equipe Arena Projetos pelo convite, ao Edmilson pela ótima prva, e que venham as próximas.






terça-feira, 8 de abril de 2014

ENDURANCE 50K

O ano de 2014 finalmente começou nesta minha vida cheia de aventuras.
Infelizmente tive que esperar 3 meses, para começar minha maravilhosa e dolorosa diversão. 3 meses que considero um verdadeiro tempo mal aproveitado, afinal o que fiz neste período: Trabalhei, trabalhei e trabalhei.
A cada dia que passa, percebo as pessoas levando suas vidas inteiras trabalhando cada vez mais, sendo escravas de um mesmo objetivo, escondendo o verdadeiro sentido da vida, sendo subordinadas e limitadas á metas visíveis.
Sempre costumo dizer que o sentido da vida não é quantificável, afinal quando a pessoa se prende á números e bens materiais ela perde a razão de ser.
Em cada nova aventura em minha jornada, procuro algo fora do contexto, em busca de uma nova descoberta em minha vida.
Adoro garimpar estas novas descobertas e descobrir um novo caminho. 
Quanto mais longínquo, mais puro, mais intocável, mais precioso ele será.
Para mim, o caminho deve ser árduo, deve me testar ao máximo, deve ser solitário, incerto, perigoso, quase inumano dadas as minhas perspectivas.
Na noite do dia 21 de Março de 2014, eu e minha esposa, nos hospedamos em uma pousada muito mais do que simples em Paranapiacaba. Fui recebido pela dona da pousada, uma senhora de 70 e poucos anos que se espantou ao saber que eu iria correr 52 km na mata na manhã seguinte, afinal chovia muito forte no local, um verdadeiro dilúvio, o que chegou a preocupar minha esposa também.
Por alguns minutos cheguei a me preocupar também, mas ao me acomodar no quarto simples de madeira no meio do mato, percebi que tudo iria dar certo.
Como não tinha treinado especificamente para o desafio que estava por vir, a probabilidade de insucesso era enorme, mas 5 minutos naquele quarto foram o bastante para perceber que tudo estava ao meu favor.
Quando parei para ouvir a chuva forte se chocando nas telhas, fui surpreendido pela agradável sinfonia dos sapos que coaxavam agradecendo a chuva, e para minha sorte, mais ao fundo á uns 15 metros da janela do quarto existia uma enorme cachoeira completando o som da belíssima orquestra enquanto suas águas despencavam sobre as rochas. Diante de todo este cenário, não pensava nas dificuldades do dia seguinte, mas sim, me sentia o dono do mundo, ou melhor dizendo, uma alma privilegiada por presenciar tamanha fonte de inspiração.
Na manhã seguinte, acordei tranquilo, e após me preparar, caminhei sozinho por uns 3 quilômetros pelas estradas na mata até o local da largada.
Ás 8 horas foi dada a largada, e como de costume saí tranquilo, enquanto que 90% dos atletas me passavam rapidamente, como se fossem participar de uma prova curta.
Como corri no mesmo local ano passado, eu conhecia as dificuldades que estavam por vir, e tinha consciência de que muito pagariam caro pelo erro inicial.
Já no km 6, uma subida muito ingrime, mostrou á todos quem dava as ordens, e como já era esperado, consegui ganhar algumas posições.
Por volta do km 20, após muitas subidas e descidas técnicas, já se viam atletas caminhando, pagando o alto preço do despreparo para um desafio desta proporção, afinal, a exigência física em uma prova em montanha é infinitamente maior do que uma prova de rua.
Já no km 30, estava bastante esgotado, principalmente pelo fato de encarar incontáveis subidas com a mochila nas costas, em meio á muita lama e pedra durante todo o percurso, mas o simples fato de não parar, e continuar, mesmo que vagarosamente, fez com que eu conquistasse várias posições.
No km 40 a falta de água, culpa de um mal planejamento de minha parte, fez com que eu perdesse 3 posições importantes, e a desidratação fez com que eu pagasse caro, ou seja, as caibras vieram, e vieram de todos os lados.
A partir deste instante, foi na base da dor, sofrimento e sobrevivência, mas quanto mais eu sofria com as dores, mais sentia o prazer de estar em um local único, dentro de uma mata carregada de energia positiva, em meio á inacreditável mãe natureza.
Não conseguia mais me alimentar, devido á fortes dores estomacais, correr também era um ato de bravura, pois o esgotamento físico era total, mas como desistir de um desafio, independente dos contratempos, enquanto muitos nem sequer podem andar ou até mesmo nunca sentiram esta inexplicável sensação durante toda á vida.
Como de costume, a Serra de Paranapiacaba se transformou de forma rápida e a neblina invadiu a mata rapidamente, acrescentando certa dose de suspense ao local. Posso dizer que sofria a cada novo passo em que minhas pernas davam, mas independente do estado moribundo em que me encontrava, me divertia cada vez mais com a situação.
Faltando uns 2 km para o final, a chuva forte voltou, coroando o desafio, fechando aquele dia inexplicável com chave de ouro, dando a minha alma mais uma experiencia unica e incalculável.
No final fechei os 52 km da prova em 05:54:40 conquistando a 14. posição geral entre 55 participantes e a 3. posição na categoria 30-39 entre 13 participantes.
Na segunda feira, enquanto caminhava mancando, conversei com um empresário, que me perguntou o que eu ganhei com a prova, afinal todo aquele esforço teria que valer á pena, mas quando disse que ganhei apenas um troféu, ele me esnobou de todas as formas dizendo que eu era um verdadeiro otário, por não ter ganho dinheiro algum após a prova.
Acredito que na percepção dele ele tenha razão, e evitei fazer comentários, afinal, ele dedicou sua vida toda ao trabalho e devido ao seu esforço acumulou muito dinheiro, inúmeras propriedades, muitos bens materiais e como consequência uma saúde precária, o que acredito que prejudique bastante o fato de agora tentar poder desfrutar de suas incalculáveis riquezas.
De qualquer forma agradeço todos os dias á Deus, por abençoar os 33 anos de vida deste otário aqui, que graças á seu trabalho árduo de todos os dias não se importa em querer levar uma vida cômoda ou acumular riquezas, mas leva para sempre em sua alma o fato de ter corrido maratonas na Argentina e no Chile, ter corrido uma Ultramaratona de 100km dentro da Cordilheira dos Andes, ter escalado os Alpes Franceses durante o Tour de France na França, ter caminhado por cidades medievais na Bélgica, ter feito rafting, bunguee jump, rapel em cavernas, e pulado de pára quedas na espetacular Nova Zelândia, ter caminhado em desertos e sítios arqueológicos além de nadar no mar morto na Jordânia, ter nadado no mar mediterrâneo além de conhecer uma cultura fora do comum na Grécia, ter corrido uma Ultramaratona na Africa do Sul além de conhecer a cultura deste país maravilhoso e mergulhar em uma gaiola ao lado de um tubarão branco de 4,5 metros.
 Isto sem contar o fato de conhecer 13 estados por este Brasil, graças á minhas corridas que preencheram as paredes do meu quarto com 67 troféus e centenas de medalhas mas não me deram dinheiro algum.
Nunca terei palavras para agradecer por tudo isso, e principalmente pelas inúmeras amizades que fiz ao longo deste caminho maravilhoso, mas antes de agradecer por todas estas conquistas, peço á Deus que ilumine á vida de todos que veem minha vida de forma diferente da minha.
Obrigado á todos que me conhecem pelo apoio de sempre e contem comigo sempre.
Façam o bem uns aos outros.







domingo, 15 de dezembro de 2013

CORRIDA 6KM - ANIVERSÁRIO DE MONGAGUÁ


No último domingo, participei da corrida de 6km em comemoração ao aniversário de Mongaguá. Como não participo de provas rápidas á mais de 1 ano e meio, não tinha a intenção de participar da mesma, mas fui convidado pelo amigo Claudio Arena, organizador da prova, então abracei a idéia de imediato é claro.
Após um ano mesclando provas longas como 100km na Cordilheira dos Andes, Iron Man, 50km de madrugada na serra da Mantiqueira e períodos sem treinos devido ao trabalho, sabia que a intenção era apenas correr ao lado dos amigos e principalmente de minha esposa e minha mãe.
Dada a largada, resolvi aproveitar o pouquinho que a carcaça aquentasse e forçar o máximo que desse, afinal não tenho explosão alguma, ou seja, o essencial para este tipo de prova.
No começo, consegui forçar legal, e acho que mandei os 3 primeiros quilômetros abaixo de 00:03:30, mas quando fiz o retorno para os 3 km finais, pude perceber que o mérito não era tão meu assim, afinal, fomos beneficiados com o vento á favor, e na volta pagamos caro com um vento contra bem forte, mas independente disto consegui manter um ritmo bom, afinal se estava ruim para mim, estava ruim para todos. 
No final, consegui fechar os 6 km em 00:22:27 conquistando a 2. colocação na categoria 30 - 39 anos e a 12. colocação geral, entre 227 atletas. Um ótimo resultado, para quem não esta acostumado com este tipo de prova.
Após a prova, voltei a sentir aquela sensação ótima, de correr ao lado da família e dos amigos, sensação esta que vinha sendo esquecida por mim, devido á tantas provas longas em locais remotos, por vezes em outros países, consumindo horas de isolamento e esforço.
Agradeço á todos os amigos que lá estavam se divertindo ao meu lado e peço desculpas se esqueci de alguém:
- Minha esposa, minha mãe, Claudio Arena, Charles, Nenê, Marco Mountaim, Nanda, Luiz Landim, Cleiton, Carlinhos, Carlos, Diego, Fábio Reazo, Fabio Arena, Thiago, Costama, entre outros.
Um abraço á todos e façam o bem uns aos outros.











domingo, 20 de outubro de 2013

 
LA MISION 2013
 No último dia 12 de Outubro de 2013, tive a oportunidade de me envolver em mais uma inesquecível experiência em minha vida.
 
Estava ansioso para encarar os 80 quilômetros do primeiro La Mision, prova esta que acontecera na inacreditável Serra Fina, em Passa Quatro no estado de Minas Gerais.
Meu espírito aventureiro ainda estava absolutamente satisfeito com minhas jornadas, afinal, há três semanas atrás tive a oportunidade de desfrutar minha Lua de Mel da melhor maneira possível explorando a Grécia em 8 dias e depois a espetacular Jordânia (literalmente de cabo a rabo) em mais 9 dias, totalizando 17 dias inacreditáveis, conhecendo 2 culturas absolutamente distintas, porém impressionantes.
Após isso, me dediquei nas três próximas semanas ao La Mision, e quando comecei a subir a Serra, na entrada da cidade de Passa Quatro, um dia antes da prova, pude perceber que teria problemas. Curiosamente, pensei alto em quanto dirigia:
- Estou ferrado! – minha mãe ao meu lado, concordou dizendo:
- Está mesmo.
Brincadeiras á parte, cheguei no local já á tarde, peguei o meu kit da corrida e fui descansar, mas como esperado, não dormi nada á noite, afinal a ansiedade dominava todos os meus sentimentos.
Já no dia seguinte, exatamente ás 11:00 horas da manhã, foi dada a largada, para os atletas da prova de 40km e 80km.
No inicio da prova, meu único inconveniente até então era a pesada mochila que carregava nas costas, que parecia pesar uns 5 quilos, mais parecendo uma bigorna, afinal estava levando suprimentos talvez para passar uns 2 ou 3 dias na mata.
Nos primeiros 12 quilômetros, tudo estava ótimo, pois corríamos no estradão de terra, local que adoro, mas quando entramos na mata, iniciaram se os single tracks e as subidas cada vez mais fortes, fizeram com que começássemos literalmente uma procissão.
Independente das dificuldades, não sabia como agradecer á Deus, por ter a oportunidade de estar em um lugar tão mágico e magnífico. A beleza local era tamanha, que subíamos montanha acima por horas, sendo que em alguns locais, literalmente escalávamos rochas, e continuávamos assim por horas, mas a fadiga e o cansaço não incomodavam tanto.
A temível subida do capim amarelo era dura e castigava bastante, pois subimos á 2800 metros acima do nível do mar, e a incômoda dor de cabeça, fruto da falta de oxigênio realmente deu as caras, mas o maior perrengue no topo da montanha foi a ventania baixando a temperatura á geladíssimos 3 graus Celsius.
A cada instante, olhávamos para qualquer lado, e éramos presenteados com paisagens simplesmente magníficas, observando pequenas pessoas lá longe em várias montanhas, desafiando seus limites, lutando bravamente contra suas barreiras em uma lenta e desafiadora marcha rumo á chegada.
Por volta das 17:40 horas, e com apenas 24 quilômetros percorridos passamos por um pequeno riacho, e pudemos abastecer nossas mochilas, afinal, todos nós que lá estávamos, precisávamos de água. Erroneamente, molhei minhas mãos na água gelada do riacho e comecei a passar mal, tremendo bastante, e sabia que tinha que me aquecer urgente, pois á ultima coisa que queria naquele instante era ser vitima de uma hipotermia, e ficar ali, largado no meio do nada, devido á não termos ajuda naquele local inóspito.
Já agasalhado, e com a lanterna na cabeça, começamos a jornada noturna, por entre colinas e precipícios rumo á misteriosa e silenciosa escuridão.
Com 2 companheiros de prova, o Renato e o Antônio, seguimos noite afora, caminhando pelas rochas e pela mata, curtindo e batendo papo o tempo todo.
Por volta das 21:00 horas, chegamos em uma floresta bacana e conseguimos seguir trotando, pelo local, pois já estava ficando insuportável andar por tanto tempo. Dois quilômetros adiante, tivemos uma agradável e salvadora surpresa ao chegarmos ao próximo posto de controle, afinal, fomos surpreendidos com uma sopa quente, cortesia da organização que não estava nos planos, mas que por sua vez, caiu como um banquete, devido á não aguentar mais tomar gel de carboidrato e comer barra de proteína.
Uns dez minutos depois, seguimos 14 km pelo estradão de terra trotando na medida do possível, afinal, sempre éramos surpreendidos por longas subidas, que naquele instante soavam para nossas pernas como montanhas do Himalaia.
Pela primeira vez em minha vida, tive o prazer de poder correr em um estradão de terra, que adoro tanto, desde meus tempos de mountaim bike, mas desta vez em plena escuridão, salvo a luz de nossas lanternas, sendo observados por cavalos e inúmeras aranhas que apareciam livremente pela estrada, além é claro dos animais que não víamos.
Seguimos em frente e nosso parceiro Renato estava bem, mas acabou perdendo a motivação e decidiu desistir da prova. Antônio e eu continuávamos rumo ao próximo posto de controle, em um ritmo lento, mas mesmo assim ainda conseguíamos passar alguns atletas, afinal, estava difícil para todos.
Chegando ao posto de controle, fomos informados que estávamos na posição 35. de 130 atletas, mas ainda tínhamos 30 quilômetros pela frente, e a previsão era de fazermos esta distância em no mínimo 7 horas.
Uma nova montanha com mais 2300 metros estava entre esses 30 quilômetros, assim sendo, bati um papo com um rapaz do posto de controle, e as palavras dele foram desanimadoras, afinal ele disse que esta montanha estava muito mais difícil que a primeira, que lá em cima estava fazendo os mesmos 3 graus, e que não teríamos mais auxilio nenhum, inclusive abastecimento de água, ou seja, se algo der errado daqui em diante, conte com o seu anjo da guarda e mais ninguém.
Nossos relógios já maçavam 23:50, e não sei porque mas ao ouvir as palavras daquele cara, tudo de ruim que podia acontecer venho á minha cabeça, cheguei á pensar que ao escalar a montanha poderia escorregar e me esborrachar precipício abaixo, afinal, os reflexos estaria menos apurados durante a madrugada, mas o que mais me desmotivou, foi o fato de ter que provavelmente caminhar por mais 30 quilômetros, e isto acabou comigo, pois queria fazer o que mais gosto que é correr, ou em outras palavras, perdi o tesão pela prova. Talvez a falta de estudo e informações sobre o evento tenha sido também um fato decisivo.
Quando disse ao pessoal que iria abandonar a prova, todos reprovaram a decisão afinal eu estava muito bem, mas meu sexto sentido foi mais forte. Cinco atletas e três pessoas do staff que lá estavam, tentaram á todo custo mudar minha decisão, e não concordavam com a mesma, mas infelizmente, fui derrotado por meus pensamentos negativos.
Esperei o Renato chegar, e abandonamos a prova, caminhando madrugada afora rumo á cidade de Passa Quatro.
Esta foi minha primeira experiência neste tipo de prova e independente da não conclusão, adorei tudo o que aconteceu, afinal me diverti á beça, aprendi muito mais sobre minha vida do que qualquer livro que devorei durante meus 19 anos de estudos sejam na escola, faculdade ou pós graduação. É claro que todos temos que estudar bastante, mas com certeza aprendi muito mais sobre a vida nos 9 países que já conheci e nas provas que faço por esse mundão afora, do que nas dezenas de livros de engenharia que devorei durante anos, até porque estou aproveitando a mesma ao máximo, e não estou pensando em guardar dinheiro e esperar a velhice bater em minha porta pagar gasta-lo todo com remédios.
Em certos instantes sinto algum arrependimento por minha decisão, afinal, sei que completaria a prova, mas não estou aqui para escrever um monte de desculpas, e sei, ou pelo menos imagino aonde ainda posso chegar.
Em relação aos atletas que estavam comigo, já admirava os ultramaratonistas antes, agora, virei um super fã. É impressionante a força de vontade e união desses caras que levam seus corpos ao limite e possuem uma mente altamente poderosa.
Agradeço á Deus, por mais esta oportunidade em minha vida, além de minha mãe que me acompanhou, minha esposa por todo o apoio, e á todos os meus amigos pela ajuda e mensagens de apoio.
UM ABRAÇO Á TODOS E FAÇAM BEM UNS AOS OUTROS.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 23 de junho de 2013

IRON MAN BRASIL 2013

Mais uma vez, pude realizar o sonho de completar um Iron Man. Agora um pouquinho mais experiente, pela segunda vez na vida completei os 3800m de natação, 180km de Bike e 42km de Corrida novamente na Ilha de Florianópolis.
Viajei um dia antes da prova, sem muitas expectativas afinal, meu principal objetivo do ano de 2013 já tinha sido alcançado, que era completar a ultramaratona Cruce de Los Andes, mas como já estava inscrito desde o ano passado, tive que me dedicar aos treinos para ao menos completar de forma melhor que no ano anterior.
Desde vez meu staff foi minha noiva, que cuidou de toda a logística, transporte de bike, etc, sendo assim, no sábado apenas retirei meu kit de prova e ao invés de fazer um treino leve, como quase todos os 2000 e poucos atletas estavam fazendo, resolvi passear e na hora do almoço mandei 2 pratos fundos de feijoada com churrasco.
 Continuamos curtindo o restante do dia, sem me estressar com o dia seguinte, afinal, havia treinado bem, e sabia que um dia antes não ia ajudar em nada, se bem que se tivesse comido um pouco menos acredito que as coisas seriam um pouco melhores para meu estomago. 
Na noite pré prova, não consegui dormir quase nada, afinal a adrenalina é gigantesca e por mais que você não queira, é impossível não ficar pensando na manhã seguinte.


Ao acordar ás 04:00 da manhã, tomei umas 5 xícaras de café como de costume e fomos até o local da transição para em breve ouvir o tiro de largada.
A manhã estava fria, mas a adrenalina acabava mascarando a sensação gelada, assim sendo, não via a hora de começar logo a brincadeira.
Após conferir todos os equipamentos, fui até a praia próximo ao local de largada e entrei no mar para um breve aquecimento, enquanto o sol nascia formando uma paisagem inexplicável. 
Naquele instante, nadei uns 10 minutos e saí da água, para em seguida me despedir de minha noiva e entrar na área de largada ao lado de 2200 atletas, que com certeza,  assim como eu, estavam morrendo de ansiedade, não vendo a hora do canhão atirar e consequentemente por em prática o resultado de meses de treinos durante noites, madrugadas, sol e chuva.
Como não tenho uma boa natação fiquei um pouco afastado do pessoal e quando foi dada a largada nadei de forma tranquila, enquanto os mais experientes saiam em disparada mar adentro.
Como de costume, levei socos, cotoveladas e chutes na cara, afinal a concentração de atletas é imensa, mas independente disto é chato saber que existem muitos caras mal intencionados que insistem em prejudicar os outros, como se o simples fato de atrapalhar alguém na água, irá fazer diferença no resultado final da prova.
Chateações á parte, continuei minha natação e após cruzar a primeira boia que demorou á chegar, conseguir nadar tranquilamente em um ritmo até melhor do que estava esperando e puder fechar a primeira fase da natação em 28 minutos, feliz da vida, e sedento de vontade de sair logo daquele marzão e finalmente subir no meu brinquedo predileto.
Na segunda parte da natação, continuei nadando bem, e mais uma vez me surpreendi ao cruzar a boia, afinal vi três caras parados discutindo em meio á prova, simplesmente um absurdo. Como não tenho nada a ver com as atitudes dos outros, continuei nadando de forma convincente, para os meus padrões é claro, e surpreendentemente fechei a natação em 01:02:00, tempo que nunca achei que iria fazer, afinal treino em uma piscina de 18 metros 2 vezes por semana.
Após uma rápida transição, achei que iria fazer uma excelente prova, mas para meu azar, foi aí que meus problemas começaram.
Ao montar minha bike no hotel, esqueci de apertar os dois parafusos da mesa, e quando saí com a bike na primeira curva, o guidão solto virou, e precisava urgente de um kit de chave allen para apertar o mesmo.
Desesperado, fui pedalando vagarosamente, gritando á todos que assistiam se alguém tinha uma chave para emprestar, e para meu azar, consegui somente uns dez minutos depois de tanta insistência. 
Dois caras que estavam assistindo a prova me emprestaram as chaves (não os conheço, e nem sequer sei os seus nomes, mas agradeço imensamente a ajuda) e após uns dois minutos consegui ajustar a mesa e comecei o ciclismo, tentando correr atrás do precioso tempo perdido.
Pedalei forte, graças aos treinos com o Zé Ciclista e consegui manter uma média de 35km/h o tempo todo, mas para meu azar novamente, ao completar a metade da prova, quando entramos no centro da cidade, nas ruas de paralelepípedo, o chacoalhar da bike fez com que o suporte dos cilindros de CO2 fossem se soltando e quando estava na estrada a 40km/h, eles se soltaram de vez e entraram na roda traseira da bike, travando a mesma, fazendo com que eu me espatifasse no chão.
Quando estava caído, recebi a ajuda de umas 6 pessoas que estavam próximas, mas independente dos ralados no joelho e ombro, e a forte batida do peito na bike, eu estava desesperado para continuar a prova, mas para meu azar novamente a bike estava quebrada.
Desesperado, procurava o problema mas não achava, enquanto um rapaz dizia que um mecânico da prova estava próximo, assim sendo, esperei por alguns minutos e nada de ajuda, até o momento em que achei o problema, e tive que soltar a roda para tirar a peça que estava presa na mesma.
Após uns 10 minutos consegui sair com a bike, mas não fui muito longe, afinal devido á batida da queda o freio dianteiro estava pegando na roda, ou seja, parei a bike novamente para arrumar a mesma outra vez.
Era desesperador ver tantos atletas me passando, enquanto o azarado parava mais uma vez para consertar a bike.
Arrumada a magrela, saí em disparada para continuar a prova e terminar ao menos com dignidade, mas independente de conseguir encaixar um pedal forte, o medo nas descidas era grande após o tombo, mas mesmo assim consegui fechar os '80km de ciclismo em 05:16:18 com uma velocidade média de 34km/h.
Já na corrida, enquanto a maioria dos atletas temem o sofrimento da maratona que vem pela frente, eu sabia que seria o inicio da minha diversão, então independente das dores, comecei correndo bem.
Como de costume, não consegui ingerir comida e gel durante a corrida, e tomei poucos goles de água, mas consegui seguir em frente até o décimo quilômetro, e foi aí que mais problemas começaram.
Comecei a sentir uma estranha dor no tórax, sensação nunca sentida antes, afinal, uma sensação de vazio interno impediam o ciclo normal da minha respiração e a sensação de sufocamento me acompanhou por mais 32 quilômetros de prova.
Não consegui correr a maratona como de costume, mas segui em frente sem parar, exceto na cruel subida das canasvieiras, local onde dei uma caminhada básica, assim como  a grande maioria dos atletas.
Seguindo em frente, continuei correndo bastante incomodado, e morrendo de fome, mas minha meta não era somente a de terminar a prova logo, mas sim de me acabar de comer pizzas, bolos, sorvetes e tudo o que me oferecessem na linha de chegada. 
No quilometro 40, não aguentei, e acabei parando para comer um bolo de laranja com coca cola, que bolo maravilhoso era aquele, e após a degustação, segui em frente para fechar a maratona em 03:51:55, muito acima do que esperava e terminar meu segundo Iron Man em 10:18:24.
Independente dos problemas, terminei a prova feliz da vida, afinal sei que fecharia a mesma tranquilamente abaixo de 10 horas, mas me sinto satisfeito pelo fato de ser meu segundo Iron Man e principalmente por trabalhar das 07 horas da manhã até as 18:00 todos os dias e ainda conseguir um tempinho para me dedicar aos treinos.
Agradeço mais uma vez primeiramente á Deus e também á minha mãe, minha noiva, meu irmão, e á todos os meus amigos que me apoiam sempre.
Me sinto super honrado, pelo simples fato de poder acordar á cada dia com saúde, e poder fazer o que gosto tanto, e espero que Deus continue me iluminando com saúde, para que possa aproveitar á vida a cada minuto que passa.
Ano que vem, não fareia o Iron Man, pois tentarei realizar um sonho muito maior que é o de participar da Ultramaratona Des Sables no Marrocos em meio ao deserto do Saara, encarando 250 quilômetros de corrida, com 50 graus na cabeça durante o dia e 0 graus á noite com inúmeras tempestades de areia, acampado em 6 dias de sofrimento, mas recheado de muita diversão e uma aventura inexplicável.
Obrigado á todos mais uma vez e façam o bem uns aos outros.







domingo, 2 de junho de 2013

CORRIDA DAS TORRES 2013

No dia 04 de Maio de 2013, realizei minha última diversão antes do tão falado Iron Man Brasil. Digo diversão, pois por incrível que pareça, acabo me divertindo muito mais do que o próprio Iron Man em si, afinal, lá não tem montanhas para escalar, riachos e cachoeiras para atravessar, uma mata espetacular te engolindo por completo e o mais bacana de todos, os cachorros correndo atrás de você, deixando assim a aventura completa.
 Ás 14:00 horas, e com um calor intenso, acredito que uns 34 graus fácil, foi dada a largada, e como de costume saí numa boa e comecei á ser ultrapassado por vários atletas, mas como já conheço bem o percurso, sabia que em breve a história mudaria, principalmente com aquele sol escaldante castigando á todos os que lá estavam.
No segundo quilômetro de prova, já no estradão de terra, margeando a mata e os sítios locais, as primeiras subidas começavam a aparecer timidamente e junto com o ar seco e a alta temperatura, sabia que as coisas iam ficar bem difíceis mata adentro. 
Já no quarto quilômetro, os single tracks e as subidas de fato começaram, e como nos dois anos anteriores, comecei á passar alguns apressadinhos desavisados que insistiram em socar a bota na largada.
Muitas eram as subidas, e com a mata um pouco fechada em certos trechos, ganhei vários cortes e hematomas nas pernas e joelhos, mas á medida que a prova ia passando a diversão ia aumentando. 
 Na altura do oitavo quilômetro, uma falta de sinalização fez com que quatro atletas, incluindo eu, nos perdessemos, perdendo assim algumas posições, mas o prejuízo chegou á uns 2 minutos no máximo.
A última subida da torre, judiou bastante, e como de costume, subimos engatinhando enquanto que as panturrilhas explodiam de dor, mas após esta subida, as decidas vieram, e nós que estávamos no pelotão da frente forçamos em um ritmo forte.
 De volta aos sítios, este ano os cachorros timidamente dispararam alguns latidos, ameaçaram um ataque, mas de fato não o fizeram. Acredito que o calor era tão grande que aqueles pobres animais, que lá estavam apenas defendendo seu território,   onde várias pessoas malucas correndo estavam invadindo, não tiveram forças para intimidar nós atletas, mas confesso que desta forma foi bem melhor.


Faltando 2 quilômetros enquanto corria forte ao lado de outro atleta, disputando a posição acirradamente passo a passo, um rapaz de bicicleta passou e disse que estávamos em quinto logar no geral, e isso me motivou a forçar ainda mais, mas para meu azar, o parceiro ao lado pensou da mesma forma, sendo assim, continuamos forçando pau a pau na disputa pela quinta colocação geral.
Com tinha uma grande prova pela frente sabia que era besteira, me matar, e correr o risco de uma contusão, jogando assim dezenas de treinamentos pelos ares, mas como diz o nome, estamos em uma prova de corrida, e a adrenalina naquele momento com certeza fala mais alto. 
No último quilometro, baixei um pouco o ritmo, pois sabia que meu parceiro também estava cansado, e ao perceber que ele me acompanhou, esperei trezentos metros, assim sendo, nos setecentos metros finais, forcei o máximo que pude, e para minha sorte o atleta ao lado não acompanhou o ritmo.
No final fechei a prova em 01:06:37 na 5. colocação geral entre 174 atletas e 2. colocação na categoria entre 22 atletas.
Mais uma vez, a Corrida das Torres em Bertioga, proporcionou 12 quilômetros de muita diversão, calor, e um envolvimento inexplicável com a natureza.
Façam o bem uns aos outros.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

COPA PAULISTA DE CORRIDAS DE MONTANHA - ETAPA PARANAPIACABA

No último dia 30, pude sentir mais uma vez a emoção de participar de uma prova de trail run.....e que prova.
Digna de filmes de indiana jones, a etapa de Paranapiacaba da Copa Paulista de Corridas de Montanha, foi puro desafio, adrenalina e diversão.
Como venho me preparando para o Iron Man Brasil mês que vem, fiz a prova com o intuito de sair um pouco da "bitolagem" que são os treinos para o Iron, e fazer o que mais gosto que é me divertir perdido na natureza.
Antes da largada, a organização da prova informou que a prova longa mudaria de 12 km para 14 km, ou seja, 2 km á mais de diversão, e isso por si só já vale a viagem.
Ás 15:00 horas, em um calor brabo, foi dada a largada, e de imediato já entramos no estradão de terra e no km 2 entramos em um rio e posso dizer que não me divertia tanto desde o Cruce de Los Andes no Chile.
Percorremos 800m rio adentro, caindo na água, dando caneladas em pedras e troncos, se enroscando em árvores, e lamentando por ser apenas 800 metros e não muito mais.
Após o rio, as coisas começaram a se complicar, e as fortes subidas vieram pra valer, deixando as panturrilhas ardendo á beça.
Já nas descidas, o terreno era lama pura, devido á fortes chuvas no decorrer da semana, mas o mais complicado eram as imensas fissuras e erosões no solo, deixando o percurso bastante técnico.
No final, corremos uns 3 km em descida no estradão, e quando imprimi um ritmo legal, o gel de carboidrato não caiu bem, e o estomago estava dando sinal de alerta, mas após uns três minutos as coisas melhoraram um pouquinho, e assim consegui passar mais alguns atletas no final, fechando a prova em 01:19:10, conquistando a 6. colocação na categoria e 15. colocação geral entre 244 atletas.
Agora é fazer logo o Iron Man, mas com a cabeça na Jungle Marathon em Outubro, dentro da Selva Amazônica, se tudo der certo será o maior desafio da minha vida e a aventura mais insana também.
Que venham aranhas, cobras, jacarés e tudo o mais.
Façam o bem uns aos outros.